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domingo, 23 de janeiro de 2011

Igreja cubana capitulou ao governo, segundo o WikiLeaks


O governo dos Estados Unidos considera que a Igreja Católica em Cuba capitulou ao governo da ilha e que é difícil medir a eficácia de sua intermediação pela libertação de presos políticos, segundo documentos revelados pelo WikiLeaks.
"A estratégia da Igreja Católica é capitular às posições do governo cubano, com antecedência se possível", afirma um documento assinado por Jonathan Farrar, diretor da Seção de Interesses de Washington em Havana (Sina).
Segundo telegramas enviados ao Departamento de Estado em 2008, os funcionários da Sina tiveram reuniões com o cardeal Jaime Ortega, além de outras autoridades religiosas, e concluíram que eles "não desafiarão o governo, nem sequer minimamente".
"Do cardeal Ortega às freiras das províncias, a Igreja evita desafiar o governo cubano. O temor de provocar revolta reduz seus programas a trabalhos limitados, como o cuidado de enfermos mentais", afirma um telegrama, que também menciona um distanciamento com os dissidentes católicos.
Ao ser questionado por Farrar sobre a política para os presos políticos, Ortega teria afirmado que a "Igreja prefere interceder ante as autoridades nos bastidores".
"Ele opina que a Igreja é uma das poucas instituições capazes de interceder, mas em voz baixa, com o governo cubano sobre estes assuntos. É difícil julgar com que frequência ou a eficácia desta intervenção", afirma um telegrama.
Após décadas de problemas com o governo comunista, a Igreja retomou espaço, foi reconhecida pelas autoridades como "interlocutor" e conseguiu em 2010, após um inédito diálogo entre Ortega e o presidente Raúl Castro, o compromisso de libertação de 52 presos políticos, dos quais 11 ainda esperam para deixar o país.

Fonte : Terra

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Executivo de banco suíço vai entregar documentos ao WikiLeaks

Mark Hosenball, Reuters - Um antigo executivo de um banco suíço afirmou que planeja entregar dados sobre centenas de correntistas estrangeiros ao site de denúncias WikiLeaks, sediado em Londres, em entrevista coletiva a ser na realizada na segunda-feira.

Rudolf Elmer foi diretor do escritório do banco Julius Baer nas ilhas Cayman até sua demissão pelo banco, em 2002. Ele deve ser julgado em um tribunal suíço na quarta-feira por violação das leis de sigilo bancário.

Ele e Jack Blum, antigo investigador do Congresso norte-americano e hoje advogado em Washington que representa pessoas envolvidas em denúncias contra grandes organizações, devem conceder entrevista coletiva em Londres na manhã da segunda-feira, durante a qual planejam entregar ao WikiLeaks dois CDs que supostamente contêm nomes e dados de conta sobre cerca de duas mil pessoas que mantêm dinheiro em contas bancárias fora de seus países de origem.


Os organizadores do evento afirmam acreditar que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, concordou em participar pessoalmente do evento, a fim de receber as informações.

No entanto, a presença de Assange não está confirmada devido a uma ordem judicial que restringe seus movimentos e o mantêm em geral confinado a uma casa no leste da Inglaterra, onde está morando até que os tribunais britânicos julguem uma solicitação das autoridades suecas para que seja extraditado à Suécia a fim de ser interrogado sobre alegações de delitos sexuais.

No domingo, Elmer disse à Reuters que esperava que sua entrevista coletiva chamasse a atenção para os abusos praticados pelos bancos offshore e promovesse o WikiLeaks como mecanismo para que outras pessoas façam suas denúncias.

"O principal é educar a sociedade sobre os abusos dos bancos offshore e sobre sua forma de trabalho", disse.

"Acredito no sistema do WikiLeaks", prosseguiu Elmer. "Um recurso como esse precisa existir. O WikiLeaks era minha última esperança. Eu não tinha como divulgar minha mensagem. O WikiLeaks pode ser a única maneira de levar minha mensagem à sociedade. Eu gostaria de ajudar a recolocar o WikiLeaks nos trilhos."

Fonte: Baixaki

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

América Latina desconfia da expansão da China

A América Latina receia a expansão da China, publicou nesta segunda-feira o jornal El País, a partir de documentos da diplomacia americana vazados no site WikiLeaks, que ilustram a desconfiança dos líderes latino-americanos após uma visita à região de líderes comunistas chineses.

A viagem do vice-presidente chinês, Xi Jinping, e do vice-primeiro ministro, Jui Liangyu, e o aumento dos investimentos do gigante asiático alimentaram esse receio, explicou o jornal.

"As relações dos Estados Unidos e da América Latina foram ignoradas pela administração Bush, e a China busca preencher a lacuna", sustentou a primeira-secretária de missão brasileira, Daniella Menezes, em conversa com o adido americano em 2009, num momento em que Xi Jinping e Hui Liangyu realizavam um giro de 15 dias pela América Latina.

Um documento de 10 de março enviado pela responsável pelos negócios americanos na capital mexicana, Leslie Bassett, divulga uma reação parecida de Neil Dávila, do ProMexico (órgão governamental de promoção do comércio e dos investimentos), que afirmou: "Não queremos ser a próxima África da China. Precisamos ser donos de nosso próprio desenvolvimento".

Durante uma reunião em Xangai (China) entre a consulesa americana, Beatrice Camp, e o cônsul brasileiro, Marcos Caramuru de Paiva, ele, como relata um documento de 15 de março, afirmou que os "investidores chineses pensam que a América Latina e a África são a mesma coisa".

"A estratégia da China é muito clara: faz todo o possível para controlar o fornecimento de matérias primas", advertiu Paiva.

A China é o destino de um terço das vendas desses produtos a partir do Brasil, segundo o Banco Mundial. E já é o principal sócio de Chile, Peru e Argentina. As exportações da América Latina para a China cresceram entre 1990-2008 de 0,8% do total para 10%, enquanto os Estados Unidos sofreram uma queda de 44% para 37%, afirmou o jornal.

Fonte: Terra

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

EUA acharam 'débil' reação do Brasil a Bolívia

Para os Estados Unidos, a reação do governo brasileiro à medida da Bolívia que nacionalizou os hidrocarbonetos em 2006 foi "débil". É o que consta nos telegramas da diplomacia americana em Brasília, vazados pelo WikiLeaks e divulgados nesta quinta-feira pelo jornal Folha de São Paulo . Os documentos sugerem que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, teve influência nas ações de Evo Morales que culminaram na nacionalização de refinarias da Petrobras na Bolívia.

"No âmbito político, Lula e sua equipe de política externa não poderiam estar pior do que estão agora", afirma o comentário enviado pela embaixada em 3 de maio de 2006, dois dias depois da nacionalização boliviana. Com ironia, a diplomacia americana considerou a crise um revés para "a teologia do governo Lula sobre uma nova era de 'integração regional' liderada pelo Brasil". Os documentos sugerem, ainda, que Lula era cada vez mais visto pela "imaginação popular" como um presidente "atropelado, manipulado e enganado pelos 'hermanos' Chávez e Morales". O telegrama inclui a explicação brasileira para a atuação do governo diante da "crise". Nos documentos, Marcelo Biato, então da assessoria internacional do Planalto e hoje embaixador em La Paz, justifica: "Nós não podemos escolher nossos vizinhos. Não gostamos do modus operandi de Chávez ou das surpresas de Morales, mas temos de lidar com esses caras de alguma maneira e manter a ideia de integração regional viva".

Fonte: Terra

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Para EUA, Brasil é peça central na rota do tráfico

Telegramas enviados por diversas embaixadas americanas e divulgados pelo site WikiLeaks apontam que os Estados Unidos consideram o Brasil peça central na rota do tráfico internacional de drogas. Uma das principais preocupações dos diplomatas americanos refere-se ao governo do boliviano Evo Morales.

Segundo a embaixada dos EUA em La Paz, em apenas dois meses de 2009, 175 aviões suspeitos de carregar cocaína saíram da Bolívia com destino ao Brasil. Em uma das mensagens, o governo americano diz que o Itamaraty vê com grande preocupação a relação entre o governo de Morales e os produtores de coca. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Os telegramas indicam que o Brasil tornou-se caminho para permitir que drogas sejam enviadas à Europa, aos Estados Unidos e à Ásia. "A falta de controle sobre seu espaço aéreo resulta em praticamente uma liberdade total para o narcotráfico", diz um dos textos. As mensagens também demonstram a participação brasileira na rota do tráfico à África. Segundo a embaixada americana em Maputo, capital do Moçambique, a rota principal para a cocaína por via aérea que chega ao país vem do Brasil.

Fonte: Terra

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ex-guerrilheiro recebeu visto americano por engano

Telegrama obtido pelo site WikiLeaks aponta que a concessão de visto de entrada nos Estados Unidos ao ex-guerrilheiro Paulo de Tarso Venceslau - interpretada como sinal de abertura na política externa do governo de Barack Obama - foi, de fato, um engano da diplomacia americana. Venceslau integrou o grupo que sequestrou o embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969, para forçar a ditadura a libertar presos políticos. Os outros participantes da ação - incluindo o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, e o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) - não podem visitar os Estados Unidos. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo o documento interceptado pelo WikiLeaks, o consulado americano em São Paulo concedeu o visto sem perceber de quem se tratava. Depois que o caso veio à tona, a embaixada em Brasília recomendou que os Estados Unidos mantivessem a decisão, para evitar uma possível crise com o Itamaraty.

O texto foi enviado em 14 de outubro de 2009 pela conselheira Lisa Kubiske, que afirmou que o visto poderia lançar dúvidas sobre a política dos EUA contra o terrorismo. Entretanto, segundo Kubiske, um recuo "levaria a reação forte e negativa da imprensa brasileira", que impediria uma maior aproximação da relação entre os dois países.

Fonte: Terra

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Os telegramas do Wikileaks, a mídia e o MST


Os jornais brasileiros divulgaram na semana passada referências ao MST feitas em telegramas sigilosos enviados nos últimos anos por diplomatas estadunidenses no Brasil aos seus superiores em Washington e revelados pela rede Wikileaks.

Algumas reflexões podem ser feitas a partir da leitura desse material.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

EUA queriam encontro como Brasil para discutir Irã

A aproximação entre os governos do Brasil e Irã preocupou consideravelmente os diplomatas norte-americanos em Brasília, que pediram encontros com o alto escalão brasileiro para discutir o assunto. A revelação foi feita pelo site WikiLeaks, segundo matéria publicada nesta quinta-feira no jornal “Folha de S. Paulo”.

O assunto foi esmiuçado em telegramas enviados pelos diplomatas americanos no Brasil à Secretaria de Estado em Washington. Em telegrama enviado no dia 6 de novembro de 2009, a ministra conselheira da embaixada americana, Lisa Kubiske, relatava encontros com membros do Itamaraty para tratar da viagem do iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil no fim daquele mês.

"O Brasil ainda não entende completamente a dinâmica que cerca o Irã e o Oriente Médio, e seu frenético esforço de se engajar com todos os atores da região aumenta o potencial de erros e de mal-entendidos", disse Kubiske

No mesmo documento, a diplomata fala abertamente sobre a necessidade de intervenção dos EUA no assunto "A missão renova seu pedido para que um especialista em Oriente Médio de Washington venha a Brasília se encontrar com altos funcionários da Presidência e do Itamaraty para apresentar a nossa visão."

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Lula pediu que Cháves baixasse o tom contra EUA


Novos telegramas vazados pelo WikiLeaks mostram que o presidente Lula pediu ao colega venezuelano, Hugo Chávez, que baixasse o tom contra os Estados Unidos.

Essa afirmação está no conteúdo diplomático divulgado nesta quarta-feira pelo jornal espanhol "El Pais".

O pedido teria sido passado ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich, pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Ele mesmo foi o mensageiro do recado de Lula a Chávez.
A recomendação brasileira não surtiu efeito no presidente venezuelano, que continuou com os ataques verbais contra os Estados Unidos.

Fonte: Band News FM

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Após acidente com avião da Gol, EUA tentaram tirar pilotos do Brasil

O governo dos Estados Unidos agiu junto ao Itamaraty e à Polícia Federal para tirar do Brasil os pilotos norte-americanos envolvidos no acidente entre um jato Legacy e o Boeing 737 da Gol, ocorrido no dia 29 de setembro de 2006 e que matou 154 pessoas. A revelação consta de telegramas enviados a Washington por diplomatas e obtidos pelo site WikiLeaks.

A primeira intervenção teria ocorrido logo em outubro, quando foram enviados ao Brasil três funcionários do Conselho de Segurança de Transportes (NTSB) e um da Administração Federal de Aviação (FAA) para acompanhar as investigações.

Enquanto isso, a embaixada dos EUA trabalhava para tirar do país os pilotos Joe Lepore e Jan Paladino. Na época, eles não conseguiriam deixar o território brasileiro, pois estavam com seus passaportes retidos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dirceu duvidou de recuperação de Lula após mensalão, revela WikiLeaks

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, acreditou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiria se recuperar da crise causada pelo escândalo do mensalão, e que não conseguiria se reeleger em 2006. As informações constam de telegramas enviados por diplomatas norte-americanos a Washington e obtidos pelo site WikiLeaks. A publicação do teor dos documentos foi feita na edição desta segunda-feira do jornal “Folha de S. Paulo”.

Dirceu teria feito as declarações em 2005, no auge do escândalo do mensalão e logo após deixar a Casa Civil. Ele teria dito a um amigo americano que Lula dificilmente seria reeleito nas eleições de 2006 e afirmou que ele poderia até mesmo desistir de concorrer a um novo mandato se ficasse "deprimido".

De acordo com um despacho diplomático americano obtido pela organização WikiLeaks, Dirceu considerava mais provável uma vitória da oposição em 2006 e previu que o candidato do PSDB à Presidência seria o então prefeito de São Paulo, José Serra.

Como se sabe, as previsões não se concretizaram. O candidato da oposição acabou sendo Geraldo Alckmin, animado pelos bons índices de aprovação à frente do governo do Estado de São Paulo. Lula acabou concorrendo e venceu as eleições com relativa facilidade.

domingo, 19 de dezembro de 2010

EUA estão irritados com padrões europeus sobre direitos humanos

Os padrões europeus em matéria de direitos humanos “irritam” a diplomacia americana, segundo documentos secretos dos Estados Unidos vazados pelo site WikiLeaks e publicados neste sábado pelo jornal britânico “The Guardian”.

Em um documento confidencial de Estrasburgo, o cônsul-geral dos EUA, Vincent Carver, critica o Conselho da Europa por sua posição frente às extradições ao país e às transferências secretas de suspeitos de terrorismo.

Uribe negociou acordo militar com EUA para dissuadir Chávez

O ex-presidente colombiano, Alvaro Uribe, negociou em 2009 um acordo militar com Washington como um "dissuasório ante uma possível agressão" da Venezuela, segundo um despacho confidencial americano divulgado pelo site WikiLeaks e publicado este sábado pelo jornal espanhol El País.

"O governo da Colômbia considera cada vez mais a Venezuela como uma ameaça, sobretudo após as recentes compras de armamento da Rússia, e vê o acordo de defesa como um dissuasório ante uma possível agressão venezuelana", destacou em 5 de fevereiro de 2009 o então embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, em nota remetida a Washington.

Brownfield escreveu que o atual presidente colombiano e então ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, foi um dos principais impulsionadores do acordo, que permitia a militares americanos operar em sete bases colombianas e que finalmente foi tornado sei efeito pela Justiça em Bogotá em 18 de agosto de 2010.
"Em várias ocasiões, o ministro Santos aludiu à ponte aérea de Estados Unidos e Israel durante a guerra do Yom Kipur de 1973, e pediu ''garantias'' similares do governo americano em caso de conflito com a Venezuela", escreveu o embaixador em fevereiro de 2009, segundo o WikiLeaks.

Uribe, que governou entre 2002 e 2010 com uma plataforma de direita, teve vários atritos com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que em meados de 2009 rompeu totalmente os laços com Bogotá devido ao acordo militar.

Fonte: Terra

sábado, 18 de dezembro de 2010

Jobim e os militares tentam enquadrar o MST como grupo terrorista

Na falta de um Bin Laden de verdade

Leandro Fortes


Ironia do destino, caberá à presidente eleita, Dilma Rousseff, pôr fim a uma guerra interna do governo federal: qual é a posição que o Brasil deve ter sobre o terrorismo? Ex-militante da esquerda armada durante a ditadura, a sucessora de Lula foi chamada de terrorista na campanha eleitoral. Mas, como decidiu manter Nelson Jobim no Ministério da Defesa, vai continuar a conviver com o intenso lobby dos militares, apoiados pela turma conservadora da agricultura, a favor de uma lei que defina como terroristas os líderes de movimentos sociais, inclusive estudantes e atingidos por barragens. E, sobretudo, os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST. No governo Lula, a ideia nunca prosperou, o que não desanimou os defensores do projeto.

Um grupo de trabalho montado no governo passou os últimos dois anos debruçado sobre um tema geral – a elaboração de uma nova Lei de Segurança Nacional – para cuidar de outro, específico e mais urgente, a tipificação do crime de terrorismo no Brasil. Entre os integrantes do grupo, criado em 14 de julho de 2008, estavam representantes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Casa Civil, Advocacia-Geral da União (AGU), dos ministérios da Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Planejamento, Ciência e Tecnologia, além dos comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Há cinco meses, e após dez reuniões de trabalho, foi produzido um relatório ambíguo e conflituoso. As discussões, conduzidas pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, desembocaram num texto dividido em quatro eixos: a defesa das instituições democráticas; as ameaças externas; as ameaças às áreas estratégicas econômicas e de infraestrutura; e o combate ao terrorismo.


MST teria espiões no Incra para orientar invasões



O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) usa informantes dentro do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para ocupar as terras que serão desapropriadas pelo governo. A afirmação consta de telegramas enviados por diplomatas dos Estados Unidos ao Departamento de Estado americano e revelados ao GLOBO pelo grupo WikiLeaks. Os diplomatas acusam ainda os sem-terra de alugarem lotes dos assentamentos para o agronegócio no Pontal do Paranapanema (SP) e avaliam que o governo Lula esvaziou o movimento, que teve de se "reinventar".

"A prática do MST de distribuir lotes de terra fértil a seus fiéis e de alugar a terra de novo ao agronegócio é irônica, para dizer o mínimo. O presidente Lula tem sido flagrantemente silencioso com suas promessas de campanha de apoiar o MST por uma boa razão: uma organização que ganha terra em nome dos sem-terra e que depois a aluga para as mesmas pessoas de quem tirou tem um sério problema de credibilidade", escreve o cônsul-geral em São Paulo, Thomas White, em 29 de maio do ano passado. O comentário foi feito após o diplomata ouvir um relatório de seu assessor econômico, que conversara com empresários de Presidente Prudente, onde "poucas pessoas" apoiam o movimento social.

O assessor econômico ouviu também o historiador americano Clifford Welch, que integra o Nera (Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos em Reforma Agrária). Considerado por White como "pró-MST", o pesquisador revela que o movimento usa seus contatos dentro do Incra para determinar qual será a próxima fazenda desapropriada. "Welch disse ao assessor econômico que o Incra não torna essa informação publicamente disponível e que o MST só poderia acessá-la por meio de informantes dentro do Incra", informa o cônsul-geral. Segundo White, o Incra, usualmente, não desapropria com rapidez e, assim, "o MST invade a terra como prometido".

Fonte: O Globo

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

EUA pediram a militares brasileiros que participassem de ações da Otan

A diplomacia norte-americana trabalhou para obter do Brasil um apoio às ações militares da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em várias partes do mundo. A revelação conta de documentos produzidos pelo governo dos Estados Unidos e obtidos pelo site WikiLeaks.

Um dos telegramas secretos, enviado ao Departamento de Estado em 15 de fevereiro de 2007, narra um jantar oferecido pelo embaixador Clifford Sobel ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, e ao subchefe-executivo, o General-de-Divisão Rubem Peixoto Alexandre.

Neste encontro, o norte-americano solicita um encontro entre Dilma Rousseff, então ministra-chefe da Casa Civil, e o advogado-geral americano. Na pauta, a perspectiva de o Brasil colaborar com a Otan, aliança militar que inclui países da Europa e os Estados Unidos.

Neste encontro, Félix se mostrava favorável a uma participação do Brasil na Otan e chegou a proferir uma comentário enfático a respeito.

"Felix disse que os brasileiros devem encarar o fato de que ’um preço deve ser pago’ para obter um papel de liderança global. O Brasil deve estar disposto a modernizar e empregar suas forças em operações internacionais e confrontar a perspectiva de ’sacos de corpos retornando’”, comentou Sobel no telegrama.

O general diz ainda, segundo o documento, que uma cooperação próxima com a Otan seria vista positivamente pelos militares brasileiros, que compartilham a sua visão.



Fonte: eBand

Revelada prática de tortura na Caxemira

A diplomacia americana sabia da prática de torturas usadas pelas forças de segurança indianas na Caxemira, segundo documentos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks e publicados no jornal britânico "The Guardian". As mensagens diplomáticas revelam que a Embaixada dos Estados Unidos em Nova Délhi foi informada em 2005 pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha de que centenas de presos estavam sendo submetidos a surras, choques elétricos e práticas de humilhação sexual.

Outros documentos, alguns de 2007, refletem a preocupação dos diplomatas americanos pelos abusos sistemáticos dos direitos humanos das forças de segurança indianas, que torturavam os detidos para obter confissões.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha realiza um trabalho sigiloso e repassa as informações que obtém diretamente aos Governos, e não à imprensa, e por isso mantém os dados em segredo, como ocorreu no caso da Índia.

Mas, segundo as revelações dos documentos, o Comitê informou os diplomatas americanos que tinha feito 177 visitas a centros de detenção em Jammu, Caxemira e outros pontos da Índia entre 2002 e 2004 e tinha entrevistado 1.491 presos.

Em 852 casos, os detentos se queixaram de ter sido objeto de maus-tratos. Cento e setenta e um disseram ter recebido surras e 681 relataram que haviam sido vítimas de uma ou várias formas de tortura.
Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, todos os setores das forças de segurança indianas utilizam a tortura, um tipo de abuso que "acontece sempre na presença de oficiais".

Os presos "raramente são militantes, mas pessoas que se supõe que tenham informações sobre os insurgentes" e muitas delas morrem em consequência das torturas.

Segundo uma das mensagens norte-americanas, a situação na Caxemira "melhorou muito", já que as forças de segurança não acordam mais os habitantes de uma aldeia no meio da noite para prendê-los indiscriminadamente.

Fonte: Notícias Terra

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Félix: Brasil tem que se acostumar “com sacos de corpos” voltando da guerra

A frase acima foi proferida pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, para explicar que o Brasil tem que “pagar um preço” se quer ser uma liderança mundial. Segundo o relato do embaixador Clifford Sobel, a conversa se deu em janeiro de 2007, como ele detalhou em um telegrama enviado ao Departamento de Estado às 16:40 do dia 15 de fevereiro de 2007, que será publicado hoje pelo WikiLeaks.

O telegrama secreto descreve um jantar oferecido pelo embaixador a Félix e ao Subchefe-Executivo do GSI, o General-de-Divisão Rubem Peixoto Alexandre.
Na pauta, o pedido da diplomacia para que Félix intermediasse um encontro entre a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff e o advogado-geral americano – além da perspectiva do Brasil colaborar com a Otan, aliança militar que inclui países da Europa e os Estados Unidos.

Mais em: CartaCapital Wikileaks

Pará é como o “Velho Oeste”, afirma diplomata dos Estados Unidos

John Danilovich, que foi embaixador dos EUA no Brasil entre 2004-2005, comparou o Estado brasileiro do Pará ao “Velho Oeste” norte-americano, em telegrama diplomático. A revelação foi feita pelo site WikiLeaks e publicada na edição desta quarta-feira do jornal “Folha de S. Paulo”.

“O Pará se parece com a imagem popular do Velho Oeste: isolado, pouco povoado e sem lei", teria dito o diplomata. A afirmação conta em relatos sobre a morte da missionária Dorothy Stang, americana naturalizada brasileira. Ela foi assassinada em uma estrada da cidade paraense de Anapu, em fevereiro de 2005.

Ela teria sido morta por denunciar a grilagem e o desmatamento ilegal na Amazônia. Cinco pessoas foram condenadas pelo crime.

Apesar das declarações pouco elogiosas ao Pará, Danilovich elogia o governo federal pelo empenho em encontrar e punir os responsáveis pelo crime. “foi vigoroso sob qualquer ponto de vista". 



Fonte: eBand

Principais dados publicados pelo Wikileaks

EUA monitoram relação nuclear entre Brasil e Irã
Os Estados Unidos estão atentos aos crescentes laços entre Brasil e Irã e suas implicações na área nuclear, revelam documentos diplomáticos americanos. Desde 2007 Washington investiga a possibilidade de incremento da produção de urânio na América Latina, especialmente na Venezuela e no Brasil, países que intensificaram suas relações com o Irã.

Brasil oculta cooperação antiterrorista com EUA
O Brasil ocultou do grande público uma cooperação antiterrorista com os Estados Unidos e nega oficialmente qualquer sugestão de que militantes islâmicos realizam atividades em seu território. O Brasil está preocupado com a atividade terrorista em seu território, apesar de publicamente fazer afirmações diferentes, destaca um telegrama da embaixada americana em Brasília ao Departamento de Estado em Washington com data de outubro de 2009.

As atividades de investigação antiterrorista Brasil-EUA são centradas em suspeitos em São Paulo e nas áreas de fronteira com Argentina, Paraguai, Peru, Colômbia e Venezuela.

Dom Cláudio Hummes: corrupção de José Dirceu prejudicou Lula
O cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, atribuiu a ex-chefe de gabinete José Dirceu a série de escândalos de corrupção que abalou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro mandato, segundo conversa com Christopher McMullen, cônsul-geral dos Estados Unidos na ocasião, segundo nota enviada em 14 de março de 2006.

De acordo com o religioso, José Dirceu prejudicou o governo Lula com sua ambição desenfreada por fortalecer o poder do Partido dos Trabalhadores.

EUA: Hugo Chávez é louco e nem o Brasil o leva a sério
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está louco, segundo um vice-secretário americano, o conselheiro presidencial francês, Jean-David Lévitte. Segundo ele, nem mesmo o Brasil considera apoiar o suposto aliado e vizinho.

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