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sábado, 1 de janeiro de 2011

Defendam Assange, não o insultem


"Guardiães dos direitos das mulheres" na imprensa liberal britânica apressaram-se a condenar o fundador da Wikileaks. Na verdade, de todas as vezes que é envolvido no nosso sistema de justiça, os seus direitos individuais fundamentais têm sido violados.

Há quarenta anos, um livro intitulado The Greening of America causou sensação. Na capa estavam escritas estas palavras: "Aproxima-se uma revolução. Não é uma revolução como as do passado. Tem origem no indivíduo". Eu era correspondente nos EUA nessa altura, e lembro-me de como numa noite foi elevado ao status de guru o autor, o jovem académico de Yale, Charles Reich. A sua mensagem era a de que a acção política tinha falhado e só a "cultura" e a introspecção poderiam mudar o mundo. Isto combinado com uma insidiosa campanha de relações públicas empresariais que visava recuperar o capitalismo ocidental a partir do sentimento de liberdade inspirado pelos direitos cívicos e movimentos anti-guerra. Os eufemismos da nova propaganda eram o pós-modernismo, consumismo e "ego-ismo".

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O escândalo do Wikileaks

Atilio Borón

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) emitiu um comunicado de imprensa a 15 de Dezembro de 2010 manifestando sua preocupação pelas ameaças à liberdade de expressão contidas na nova legislação aprovada pela Assembléia Nacional da República Bolivariana da Venezuela que, segundo a CIDH afetará "principalmente os grupos dissidentes e minoritários que encontram na Internet um espaço livre e democrático para a difusão de suas ideias."


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Magnoli ataca Assange e os blogueiros

Eu gostaria de saber o que se passa pela cabeça do Magnoli quando fala em caráter. Deixemos, porém, a moral para os moralistas e para Deus. Respiremos fundo e analisemos esse pedaço de carne putrefata enrolado em papel jornal.

Tenho consciência do perigo que é analisar trechos de um texto. Mas é a maneira mais fácil e rápida, tanto para quem escreve quanto para quem lê. Contanto que não sejamos levianos e mantermos em mente o texto inteiro, e não somente o trecho pinçado, dá para levar adiante, sem descontextualizações injustas, uma análise equilibrada.

Portanto, ao texto!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Quem tem medo do Wikileaks?


“Uma organização de comunicação livre, assentada no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta os que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o fato de que suas maldades sejam conhecidas por quem elegemos e pagamos”, escreve o sociólogo Manuel Castells em artigo para o jornal espanhol La Vanguardia.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Um bando de provocadores

Natália Viana

Reproduzo aqui o que disse o editor do New York Times, Bill Keller, sobre o WikiLeaks, hoje:

“Ao longo desta experiência, nós consideramos Julian Assange e seu alegre bando de provocadores e hackers como uma fonte. Não vou dizer uma fonte pura e simples, porque como qualquer repórter ou editor pode atestar, fontes são raramente puras e simples”.

Ele disse isso em um evento sobre jornalismo promovido pela Fundação Nieman, em Harvard. E afirmou ainda que Julian Assange não é um jornalista: “Pelo menos não do mesmo tipo que eu”.

Acho que a consideração é perfeita e vem no momento exato: Bill Keller apenas falou alto o que muitos jornais pensam.

A postura dele revela uma coisa simples, que é o fato de que muitos profissionais da mídia tradicional não estão prestando atenção no que está acontecendo com o jornalismo no mundo.

Falo de jornalismo grasroots ou comunitário, sim, falo de jornalismo espontâneo e de blogs, sim, mas falo principalmente de bom jornalismo, relevante e profundo que está surgindo de grupos independentes e também de centros de jornalismo investigativo – e que está retirando o monopólio dos veículos estabelecidos de produzir e propagar infomação, de dizer o que é ou não notícia.

Após taxar o WikiLeaks de “fonte”, o editor diz que “nenhuma fonte” é “pura e simples”. O raciocínio mais lógico é questionar se algum jornal é um jornal “puro e simples”, incluindo o New York Times. E isso não tira o mérito do bom jornalismo que muitos deles fazem.

Mas a coisa é um tanto pior porque o WikiLeaks obtem informações valiosas – sim, elas valem muito dinheiro. Vendem jornal. Causam escândalo. Então, neste caso, os veículos tradicionais se interessam e têm que negociar.

Por isso me assusta um pouco a defesa de que há um tipo “superior” de jornalista e “outro tipo” – neste quesito caberia o Julian Assange. Cheira a uma defesa desesperada de quem está perdendo seu nicho de mercado.

Não seria mais inteligente olhar as novas fronteiras do jornalismo, reconhecer as iniciativas bem-sucedidas e ficar feliz com o mundo de possibilidades que está se abrindo?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Carta pela Liberdade de Expressão



Autor: Matheus Santos Rodrigues Silva, para o blog Vozes

Meus caros, está acontecendo algo fantástico nos meios virtuais e, por que não, nos meios físicos do mundo inteiro. O fenômeno de divulgação do site Wikileaks conseguiu despertar a atenção das mais diversas camadas das mais diversas sociedades do mundo. Inclusive o interesse e a extrema preocupação do governo estadunidense que mostra que "liberdade, liberdade, negócios a parte". A liberdade de expressão está sendo ameaçada por muitos daqueles que se dizem seus defensores e o mundo não está se curvando diante disso.

O que eu posso ver são pessoas de diversas nações. Diversos continentes. Diversas visões políticas e de mundo, unidas por uma causa. Isso, meus caros, é um fenômeno raríssimo no mundo. Isso é a história sendo escrita em nossa frente. Isso é a história sendo escrita por nós!

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